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A preocupação dos
organismos internacionais com as condições do trabalho
escolar volta-se também para a saúde dos professores:
para que se permita um ótimo desenvolvimento do processo
de aprendizagem e melhor qualidade do ensino, é
necessário o bem estar integral, físico, psíquico e
social de toda a comunidade educativa escolar.
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Professores estão sujeitos ao
estresse e às doenças profissionais
O ensino possui características
particulares, geradoras de estresses e de
alterações do comportamento muito prejudicial.
Estudos realizados em diversos países
da América e da Europa têm demonstrado que os
docentes estão permanentemente sujeitos a uma
deterioração progressiva da sua saúde
mental. |
O estresse já é reconhecido por organismos
internacionais como "enfermidade profissional", cujos
efeitos atingem inclusive o ambiente escolar. É
considerado pela OIT não somente como um fenômeno
isolado mas "um risco ocupacional significativo da
profissão".
Por outro lado, as
especialidades médicas ligadas ao maior número de
dispensas para o pessoal docente são, em diferentes
países, as de psiquiatria , neurologia,
otorrinolaringologia, reumatologia, traumatologia,
hematologia e doenças cardiovasculares, o que tem
permitido caracterizar um quadro de doenças
profissionais da categoria. No Brasil é grande o
número de professores "readaptados" (afastados
temporária ou permanentemente para atividades
administrativas) afetados por uma ou algumas doenças
desse conjunto, ou de professores que se mantêm com
sucessivas licenças-saúde e, não raro, como objeto de
desprezo e como fonte de problemas para os quadros
docente e discente .
A fadiga mental
acontece quando há...
1. trabalho que
exige muita atenção com o público; 2. conflitos nas
relações pessoais motivados ou acentuados pela múltipla
convivência (idem para aumento de possibilidade de
contrair doenças infecciosas, parasitárias, etc.); 3.
autoritarismo burocrático; 4. excesso de
responsabilidade para o tempo e os meios de que dispõe,
obrigando-se o professor a realizar mal o seu próprio
trabalho; 5. insegurança cotidiana típica de serviço
sobre o qual não se podem estabelecer normas precisas e
quantidades de ações que resultem, necessariamente, no
objetivo desejado, e conseqüente dificuldade de
avaliação quanto aos resultados
alcançados.
Além da sobrecarga
psíquica, problemas físicos:
1. irritações e alergias
especialmente na pele e nas vias respiratórias
provocadas pelo pó de giz; 2. calos nas cordas
vocais; 3. sobrecargas musculares e para o sistema
circulatório provocadas por excessiva permanência em
posturas incômodas (muito tempo em pé ou em assentos não
ergonômicos);
Professores de outros países também sofrem
com as doenças profissionais
?
Instituições de pesquisa em países
como Suécia, França, Alemanha e Espanha revelam uma
grande corrida de professores a tratamentos
psicoterapêuticos. Nestes países, o risco de esgotamento
físico e mental são as causas do crescente abandono da
docência.
Na
França, estudos sobre a saúde mental dos docentes
mostram que os diagnósticos mais freqüentes são: estados
neuróticos (27%); estados depressivos (26.2%)
personalidades e caracteres patológicos (17,6%) estados
psicóticos, psicoses maníaco-depressivas (7,4%) e
esquizofrenias (6,6%). Esses estudos mostram também que
a freqüência desses diagnósticos é maior entre docentes
do que em outros grupos profissionais. Por isso é
compreensível que a preocupação dos organismos
internacionais com as condições do trabalho escolar
volte-se também para a saúde dos professores: para que
se permita um ótimo desenvolvimento do processo de
aprendizagem e melhor qualidade do ensino, é necessário
o bem estar integral, físico, psíquico e social de
toda a comunidade educativa escolar.
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No Brasil, as condições de
trabalho pioram a situação
Em
outros países, tentam-se compensar as
estressantes características do trabalho docente
com melhorias das condições de trabalho.
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A Conferência Intergovernamental Especial sobre a
situação do pessoal docente convocada pela UNESCO em
colaboração com OIT, por exemplo,
recomenda a melhoria das condições de trabalho como
elemento central para a melhor qualidade do ensino. No
caso brasileiro as péssimas condições de trabalho servem
para complicar ainda mais a
situação.
Jornadas
excessivas
Naquela conferência,
constatou-se que a jornada média internacional está
entre 30 e 35 horas semanais na escola, das quais entre
18 e 24 de atenção direta ao alunado (observando-se que
essa diferença não é ainda suficiente para atender às
tarefas extra-classe tais como programação, coordenação,
auto-preparação, preparação e correção de provas e de
exercícios, preenchimento dos diários de classe,
elaboração das médias, etc.). No Brasil, entretanto, as
jornadas situam-se em torno de 45 aulas semanais, sendo
raros os casos em que parte desse tempo (em geral entre
10% e 20%) é dedicado aos trabalhos extra-classe. Com
isso muitas dessas atividades inerentes ao ensino têm
que ser realizadas em casa pelo docente. A sobrecarga de
horas extraordinárias (além de tudo não pagas) tem
efeitos particularmente nocivos sobre as condições de
trabalho (e de saúde dos educadores), uma vez que torna
mais acentuadas as condições já estressantes do trabalho
realizado em "condições normais".
Excesso de alunos por
classe
Ainda segundo a conferência
UNESCO/OIT, o n. adequado de alunos por classe deve
situar-se entre 20 e 30 no máximo, uma vez que as
classes menores favorecem o estudo e a atenção docente
individualizada, além de reduzirem a tensão e a
intensidade da tarefa docente, corrigindo importante
fator de estresse. Observe-se que no Brasil, não raro, o
número de alunos é superior a 50 por classe. Há
professores que chegam a lecionar para até cerca de mil
alunos, em até mais de vinte classes.
No
Brasil verifica-se, portanto, que as más condições de
trabalho acentuam de maneira dramática a penosidade da
profissão de professor, especialmente por que
acrescentam: 1. Sentimento de desprestígio pelos maus
salários (a falta de reconhecimento social é fonte de
mal-estar no trabalho); 2. submissão a jornadas
excessivas; 3. falta de perspectivas
profissionais; 4. insegurança, ansiedade e angústia,
provocadas pelos baixos salários e pela instabilidade no
cargo; 5. incapacitação provocada pela escassez de
recursos didáticos; 6. Conseqüências negativas para o
resultado do trabalho que realizam e para sua própria
pessoa.
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As professoras são mais
atingidas: Estudos têm
demonstrado que a crença generalizada de que as
professoras faltam mais à escola que os
professores não corresponde à realidade. No
entanto, estando submetidas à dupla jornada de
trabalho, ficam mais suscetíveis aos acidentes de
trabalho e às doenças profissionais, doenças
crônicas e aos quadros
depressivos. |
Embora a mulher assuma maior responsabilidade frente às
tarefas domésticas, suas faltas são semelhantes ou mesmo
ligeiramente inferiores às dos homens. Porém é maior o
número de faltas de professoras justificadas por
dispensas médicas, o que mostra a maior incidência nas
mulheres de doenças tipicamente profissionais da
docência.
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