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Perigo nas estradas
O trabalho dos
caminhoneiros é um dos mais exigentes no que se diz
respeito à necessidade de boas condições físicas e
mentais , simultaneamente. A realidade é bem outra, eles
queixam-se de dores nas pernas , por ficarem muito tempo
sentados, apresentam obesidade, diabetes e hipertensão.
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Há diversos estudos
relatando as péssimas condiçòes ocupacionais dos
transportadores de cargas e os prejuízos à
saúde trazidos por maus hábitos alimentares,
decorrentes, na maioria dos casos da pressão por
entrega de cargas em um tempo predeterminado
.
| Coração
O estilo de vida convencional dos caminhoneiros estimula o
aparecimento de diversos problemas de saúde. Entre eles
há uma grande proporção de pessoas com vida sedentária,
alimentação inadequada, sobrepeso e hipertenção,
agravada no caso dos fumantes. Com todos estes fatores,
quem mais sofre é o coração, advindo as
coronariopatias.

Conforme estudo realizado junto à categoria, os riscos
de acidentes com motoristas de caminhão são 3,5 vezes
maiores entre os que têm doenças degenerativas.
É de conhecimento da comunidade científica que a
obesidade é o fator de risco independente mais
importante para o desenvolvimento da Síndrome da Apnéia
Obstrutiva do Sono (SAOS) - ocorrência de paradas
respiratórias recorrentes durante a noite devido à
obstrução das vias respiratórias superiores e
grande parte da população de motoristas de caminhão é obesa.
De acordo com pesquisas, este quadro de parada
respiratória, à noite, tem como conseqüência a
fragmentação do sono e a ativação do sistema nervoso
simpático, causando grande sonolência diurna. Com a
existência de um tempo predeterminado para que sejam
efetuadas as entregas, os caminhoneiros apelam para
recursos que os mantenham vigilantes o maior tempo
possível, caindo conseqüentemente no uso de substâncias
químicas que podem causar dependência física além de
outras complicações para o
organismo.
Cafeína
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A ingestão de
cafeína, muito comum entre os caminhoneiros, tem
efeitos variados, dependendo da
dose.
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Segundo o Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas
(Cedrid), da Escola Paulista de Medicina, utilizando-se
de 85 a 250 miligramas, a cafeína causa bem estar e
melhoria da atenção e do pensamento. Mas acima de
250 miligramas, provoca nervosismo, inquietação insônia
e tremores.
Anfetaminas
(Moderex, Hipofagin, Inibex, Desobesi,
Reactivan, Pervertin, Preludin Metanfetamina e ... ice, bolinha, rebite, boleta)
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Um estudo inédito feito pelo Departamento
de Toxicologia da USP em parceria com o Ministério
dos Transportes revela, baseado em uma projeção,
que entre 40 mil caminhoneiros cerca de 1.400
utilizam anfetaminas, maconha e cocaína para
ficarem alerta durante viagens que duram até
trinta horas
ininterruptas. |
Segundo o Sindicato dos
Motoristas de Caminhões de Cargas (Sindicargas) - que
tem 20.300 associados em São Paulo - a média da carga
horária da categoria oscila entre dezessete e vinte
horas.
Pesquisadores colheram
amostras de urina de 113 motoristas voluntários para
exame. O grupo que mais chamou a atenção foi o de
usuários de anfetaminas, seguidos por usuários de
maconha e de cocaína. Apelidadas de "bolinhas ou
arrebite" pelos motoristas, as anfetaminas ou
estimulantes quase sempre são combinadas a doses de
conhaque, o que produz um efeito devastador no
organismo. Em um primeiro estágio, a substância
femproporex, presente em vários medicamentos vendidos no
Brasil, atua no sistema nervoso central, diminuindo a
sensação de fadiga e sono. Esses sintomas considerados
como "positivos" pelos usuários provocam taquicardia e
alterações cardiovasculares. As piores reações, porém,
acontecem quando os efeitos da droga
cessam:
A pessoa passa a sentir uma depressão profunda e uma
vontade incontrolável de dormir. O sono repentino pode ser
precedido de alucinações quando a anfetamina é
usada por vários meses seguidos - explica o
coordenador da pesquisa, Ovandir
Silva.
A obrigação de manter-se
acordado por longas horas é regra, afirma o presidente
do Sindicargas, José Carlos Sena. Ele denuncia que leis
cruéis do mercado transformam os motoristas em "zumbis"
que trabalham a beira do esgotamento físico e
mental.
Alimentação
Fazer refeições fora de horários fixos agrava os
problemas de obesidade e os distúrbios cardíacos. Em um
estudo realizado, mostrou se que os caminhoneiros consomem
mais calorias que o recomendado por instituições
especializadas em alimentação .
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A média do valor
calórico dos motoristas que atuam em horário
irregular é de 300 calorias acima da média dos
motoristas em horários fixos. Esta vida
desregrada que os caminhoneiros levam, acaba
levando-os à obesidade, que traz como
conseqüências problemas cardíacos e ortopédicos (
Lombalgias, dores nos joelhos, etc.)
.
| Lombalgias
Sedentarismo combinado com movimentos repetitivos, além
da obesidade, trazem danos à estrutura física dos
caminhoneiros. Os motoristas queixam-se sobretudo de
dores lombares, cervicais, fraqueza, edemas (inchaço), e
sensação de peso nos membros inferiores. Entre os
fatores de risco ergonômico, apontamos a repetição
constante dos movimentos, vibração, uso de força
incompatível com a capacidade do indivíduo e solicitações
repetitivas e cumulativas do aparelho
locomotor - coluna, pernas e braços.
Relatos de
úlceras no trato digestivo, distúrbios renais,
cefaléias, hemorróidas e lesões de coluna cervical
também são
comuns.

Recomendações para combater problemas
de postura e esforços físicos excessivos:
*
Utilização de assentos com ângulo de 100º entre a base e
o encosto, com altura do encosto e do assento
ajustáveis, e construídos de material denso, com
amortecedores para absorção de impactos.
* Apoio
bilateral para membros superiores.
* Suporte para
a região cervical capaz de limitar os movimentos
bruscos.
Fonte: Revista " Proteção
"
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